Após longo período de isolamento social, creches e escolas particulares do Rio de Janeiro puderam retornar com suas atividades presenciais. A reabertura das instituições de ensino ampliou a visão de mundo das crianças.

Sobre o assunto, conversamos com Maria Cecilia Cury, diretora da Crianças & Cia, mestre em Psicologia Educacional, doutora em Filosofia e coordenadora do programa de escolas associadas da Unesco no Rio de Janeiro.

Na entrevista a seguir, ela fala ainda a respeito das vivenciais e aprendizagens a partir do novo normal, além da alegria das crianças no ambiente escolar.

Boa leitura!

 

Como sabemos, o ambiente escolar é meio de aprendizagem. Neste sentido, o que as crianças aprendem ao respeitarem as regras dos protocolos de segurança? 

No ambiente escolar elas estão aprendendo a ter responsabilidade coletiva. A criança ganhou a capacidade de valorizar o outro. Elas puderam perceber o quanto a presença do amigo é importante e faz diferença nas atividades e brincadeiras. Em função de terem vivenciaram um longo período de encontros somente on-line, elas tiveram a oportunidade de perceber de forma ainda mais clara o quanto é bom conviver presencialmente.

Com o retorno das atividades presenciais, as crianças tiveram a oportunidade desenvolver, por exemplo, a habilidade disciplina. Elas trabalharam o autocontrole para respeitar as normas. Quando as crianças mantém o distanciamento e cada uma delas cuida da sua máscara e da higienização das mãos, elas trabalham também a autorregulação. São valores importantíssimos para a vida.

Outro ganho foi a oportunidade de se exercitarem fisicamente, o que é propiciado pelas atividades recreativas e esportivas desenvolvidas na escola. É cientificamente comprovado que essas atividades são altamente estimulantes e necessárias aos processos cognitivos.

Por que a retomada das atividades presenciais foi tão importante para os alunos principalmente da Educação Infantil?

O início do desenvolvimento das competências cognitivas e sócio-emocionais acontece nessa fase da vida escolar. Esse processo vai se ampliando e aprofundando nos outros segmentos pedagógicos, no decorrer da vida. No entanto, precisa ser iniciado na Educação Infantil. A própria Base Nacional Comum Curricular (BNCC) coloca a interação e o brincar como os dois pilares da Educação Infantil. Ou seja, são requisitos para o progresso da formação humana e completa das crianças.

Por que a convivência é imprescindível para a aprendizagem, principalmente, na fase da Educação Infantil? 

É de forma lúdica que as crianças aprendem na fase da Educação Infantil. Quando as crianças partilham experiências, o aprendizado flui com mais facilidade e se consolida. Segundo o Relatório Delors, a convivência é um dos 4 objetivos da Educação para o século XXI, os quais são: aprender a conhecer; aprender a fazer; aprender a conviver; e aprender a ser. Conviver significa viver com. As crianças precisam aprender a conviver para se tornarem verdadeiros cidadãos, conscientes de seus direitos e deveres.

Em relação aos valores humanos e sentimentos das crianças: o que mais lhe chamou atenção, no retorno das atividades presenciais?

Certamente, a alegria das crianças. Elas estavam muito saudosas. Foi emocionante presenciar o reencontro de cada uma delas com seu o espaço, as suas professoras e os seus amigos.

Alguns pais relataram que, com o retorno às aulas presenciais, observaram mudanças no comportamento dos filhos: estão mais tranquilos, repletos de novidades para contar e sempre ávidos para voltar à escola no dia seguinte.